Localizada na cavidade interna dos ossos, a medula óssea é formada por um tecido gorduroso responsável pela fabricação de alguns elementos do sangue como as hemácias ou glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

No entanto, por conta de algumas doenças ou até mesmo durante um tratamento oncológico que exige uma alta dose de quimio ou radioterapia, a medula óssea pode entrar em falência e não ser mais capaz de produzir as células do sangue ou até mesmo ser destruída completamente. Daí a importância de campanhas que estimulam a doação.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente nos últimos anos. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo com um pouco mais de 3 milhões de doadores cadastrados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (quase 7 milhões de doadores) e da Alemanha (quase 5 milhões de doadores).

De acordo com a gerente de Captação e Cadastro de Doadores da Fundação Hemominas, Heloísa Gontijo, para se candidatar à doação de medula óssea, a pessoa deve ter boa saúde, idade entre 18 e 54 anos. Além disso, “não pode ter tido câncer e não pode ter doenças como as hematológicas (do sangue) e infecciosas”, orienta. Os voluntários devem se cadastrar nos hemocentros dos estados. O Hemocentro de Belo Horizonte/MG, localizado atrás do Parque Municipal, na região central da cidade, é a referência para o cadastramento de candidatos à doação na capital.

A gerente de Captação e Cadastro de Doadores da Fundação Hemominas, Heloísa Gontijo.

“O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h30. Caso a pessoa vá também doar sangue, poderá se cadastrar até às 17h. Já nas outras unidades da Hemominas, o cadastro poderá ser feito durante o horário de atendimento para doação de sangue, conforme consta em nossa página na internet”, explica Heloísa do Instituto do Sono e Saúde.

No hemocentro, o voluntário recebe todas as orientações relacionadas ao cadastramento e doação da medula óssea. Nesse primeiro momento, “o candidato preenche alguns documentos e colhe uma pequena amostra de sangue (aproximadamente 5ml) para realização do exame de HLA”, observa a gerente.

O HLA, no caso, é um dos principais exames para checar a compatibilidade. “O resultado desse exame vai para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que fica no Inca, no Rio de Janeiro/RJ. No banco de dados, o resultado é cruzado com o dos pacientes que necessitam do transplante para verificar a compatibilidade”, completa.

É lá na base de dados do Inca que estão, por exemplo, os dados da propagandista, Andreza Dutra, que há cerca de quatro anos tomou a decisão de se tornar doadora de medula óssea. “Queria ajudar as pessoas, mas não podia doar sangue pelo meu peso. Convivi e perdi parentes queridos com câncer”, conta.

Após se informar na página da Fundação Hemominas, Andreza apresentou os documentos necessários, doou a amostra e, agora, é uma possível doadora. “Dentro da minha crença e valores, ajudar a salvar uma vida é um ato de amor ao próximo e a nós mesmos”, destaca a propagandista, que lamenta ainda não ter tido compatibilidade para finalizar sua doação.

Quanto a isso, Andreza e outras pessoas cadastradas não precisam se preocupar. Isto porque, uma vez no cadastro, a pessoa pode ser identificada como compatível e convocada para a doação até os 60 anos de idade.

Compatibilidade

A segunda fase do processo, chamada de Alta Resolução, é adotada tão logo se comprove a compatibilidade de um doador no Redome. Nessa etapa, esclarece a gerente de Captação e Cadastro de Doadores da Hemominas, Heloísa Gontijo, ocorre um maior detalhamento das características genéticas, para verificar se a compatibilidade permanece. “Caso permaneça, é solicitada a coleta de uma nova amostra de sangue do doador, para confirmar a compatibilidade. Essa terceira fase é denominada Tipificação Confirmatória”, afirma.

O candidato, então, passa por uma avaliação de saúde ainda mais criteriosa, de modo que somente as pessoas realmente em condições possam fazer a doação. Trata-se de um momento importante, pois, segundo o Inca, a chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em 100 mil. De 2000 a junho de 2012, a Fundação Hemominas já cadastrou mais de 326 mil candidatos à doação de medula óssea no estado.

Doação de medula óssea é um gesto de amor e solidariedade